Eu pensei que eu não ia me importar, que eu não ia ligar, por que talvez já nem faça diferença, e agora eu sou forte! Não sou? Eu tenho que acreditar que sim! Mas por que eu choro? Eu já disse que não me importo mais, eu penso que não me faria tanta falta, e por que eu sinto como se fizesse? Eu me desapego fácil, mas isso é mentira por que não consigo deixar nada que me pertença profundamente! Acredite, acredite, acredite.
O silêncio do adeus é ensurdecedor. A gente olha pro lado, e não há uma palavra. Não há o que dizer. A agonia passeia por entre nós. A angústia está ali sentada ao nosso lado, num abraço bem apertado, a cada passo ou toque de telefone, ela diz: Eu tô aqui. A gente olha pro céu e ele nunca esteve tão azul, o canto do passarinho é bonito, intrigante e curioso. Como é que um bichinho pequeno canta bonito assim? A gente percebe que passa bastante caminhão na rua. Hoje esta movimentado. Nossa, há muitos pássaros por aqui. Porque um cachorro late e todos os outros da vizinhança o acompanham? Parece que o coração está batendo no ouvido. Não, na garganta. Na ponta dos dedos? De repente eu percebo que meu peito ficou pequeno pro tamanho das batidas do meu coração. Engraçado, eu visualizo ele tão pequeno e amuado. Ele bate forte, e bate grande. Igual àquelas ondas que se propagam na água quando a gente joga uma pedrinha. Eu nunca joguei uma pedrinha na água pra ver essas ondas. Eu deveria tentar...
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