Partícula negativa oposta à afirmativa sim, de saber. Nem sei!
Eu fui correndo, correndo depressa demais, e eu sei que ninguém era capaz de enxergar meus olhos brilhosos, que não eram de esperança, e muito menos de felicidade, coube a mim classificá-los como olhos chorosos e caberia aos outros também, caso pudessem vê-los.
Corri demasiadamente depressa, tanto que não vi pra onde ia, dei-me conta somente quando tudo escureceu meus olhos não estavam fechados, mas eu não vi, meu corpo não estava cansado, logo não parei, aliás parei, devo ter parado, ao menos houve um momento em que senti que nada a minha volta tinha algum tipo de movimento,poderia dizer até que meu coração por algum instante, parou de bater, foi quando eu ouvi, sim eu ouvi , foi claro e exatamente assim:
- Queres ir aonde?
Meu Deus! Foi o que pensei... Para onde eu queria ir?
De uma simplicidade sem tamanho, este questionamento passou ao mais complexo possível, ao menos para mim, que não sabia para onde ir. Senti muito, por que, mesmo que nem todas as perguntas tivessem concretamente uma resposta, eu sentia necessidade de saber respondê-las, ou tentar... Tentar eu pude, mas algo fez com que eu me fechasse a essa possibilidade de tentar concluir algo, de pensar em algo, ao qual eu queria concluir, por que queria sim chegar a algum lugar, e ainda mais, eu gostaria de querer ir a algum lugar, e se naquele momento era o que eu queria, eu não sabia, e não podia.
De repente pensamentos se abriram aos poucos em minha cabeça. Algo próximo a caminhos iguais e conclusões iguais, a partidas iguais e chegadas sem finais, e com finais sempre iguais, e ainda mais , se olhasse para o caminho logo atrás, veria todas as coisas iguais, os erros iguais, e os poucos e indefinidos acertos iguais, e tudo por que? Por pensamentos iguais.
E agora sim, minha cabeça estava aberta, eu já sabia o que eu queria, e evidentemente o que eu precisava! Precisava da oposição do igual, era o diferente que em demasia me faltava, eu estava à míngua de algo diferente, e então eu já sabia, e respondia ao escuro mesmo, bem alto e claro:
- Quero ir a um lugar diferente, mas eu preciso pensar diferente, e assim preciso de algum lugar que me faça assim pensar... Quero ir até o diferente!
E ali estava a conclusão e nada mais, somente o silêncio, e minhas palavras pareceram ecoar em meu interior.
Seria eu mesma o diferente pelo qual eu buscava?
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