E o macarrão, tava bom?

 Anteriormente escrevi um texto sobre o ato de cozinhar um macarrão, queimar o fundo da panela e tirar uma bonita conclusão a respeito da vida.

Pois bem, aqui estou novamente pensando sobre o bendito macarrão, sobre a infinidade de formas de se cozinhar um macarrão, os seus tipos e sabores. 

Será que é direta ou inversamente proporcional à quantidade de textos que eu posso escrever sobre? Penso que ficaria para outro texto, não este. 

Afinal de contas, neste eu gostaria de falar que: poxa vida, as vezes a gente só quer cozinhar um macarrão e deseja que ele fique gostoso. Mas, poxa vida novamente pois, quando assim, a gente nem se quer se lembra de saborear o macarrão que a gente quis tanto cozinhar e que de fato ficou gostoso.

Porque as vezes o gás acaba bem na hora de esquentar a água, mas as vezes ele também pode estar muito fraco, aumentando o tempo de preparo que, consequentemente, aumenta a ansiedade pelo macarrão pronto e o pensamento de que “Será que esse macarrão vai sair? Talvez eu devesse deixar ele pra outro dia?”. E aqui já se perdeu o prazer de perceber que o ponto da massa no fim, pode ter ficado excelente, mas a gente já se esqueceu de notar. 

De repente surge a vontade de comer um macarrão e, ao abrir o armário ou caminhar até a vendinha da esquina, só tem do tipo espaguete, e o meu preferido é o do tipo parafuso. 

É preciso que eu me lembre, na primeira garfada, antes que eu me esqueça de sentir o sabor daquele prato, por estar pensando no macarrão tipo parafuso - que combinaria perfeitamente com aquele acompanhamento - que eu escolhi levar o tipo espaguete mesmo. Bem como posso ter decidido levar adiante no fogo baixo, ou desistir porque o gás acabou, ou de repente estava pra acabar. 

Só pra perceber que, na vida a gente tem que se lembrar do propósito, da intenção, de aproveitar o resultado, aquilo que fica pronto, aquilo que a gente conquista, aquilo que a gente constrói e alcança. 

Porque muito se fala sobre querer um macarrão saboroso, igual quando a gente espera que no topo de alguma montanha a vista seja esplendorosa, e se esquece de olhar porque a escalada cansou muito e foi difícil e, do mesmo modo, a gente se esquece de sentir o sabor do macarrão, porque demorou pra ficar pronto e ele não era do tipo espaguete. Muito é sobre o preparo, sobre a caminhada. Mas as vezes a gente se esquece do porquê.

E tudo isso, pra dizer e pensar que, quando o macarrão ficar pronto, a gente só precisa LEMBRAR. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog